terça-feira, novembro 30, 2010

Fincar.

O sopro, magro e ténue de uma brisa...transforma-se num silvo gelado de uma primeira rajada de tempestade.

Crónico.
A vida encarrega-se de mostrar que está lá para me mostrar que existe...e passeia-se por mim, como se fosse mero expectador de mim mesmo.
Fincou pé, mais uma vez, com uma das pessoas que mais estimo. E deixa-me com a sensação que nada posso...quando de facto, nada posso.

É um constante silvo frio, gélido, que se disfarça de ténue e magra brisa quente...que teima em chegar sempre mais fundo no peito, a fim de o gelar.

Há quem construa...e quem viva sobre o construido.
Há quem se confunda com a Vida...e quem tenha de a ver correr, levando de si o que tem de mais verdadeiro, de forma disfarçadamente...

...natural.

A Vida fincou pé. Fincou-me também.
Mal sabe ela...que só me ancora mais ao solo.

Inquebrável.
Um dia entende que comigo...não adianta guerrilhar.
Estou firme, está ganho à partida.
Só se me arrancar pela raiz!

quarta-feira, setembro 01, 2010

Largar*


Ao largo...


largo. Nunca agarro.


Agarrar é prender a liberdade de ver quem se encosta a nós por bem*


Poder ver a liberdade de outrem em nós...que nos aproxima.


Bem mais perto o partilhar deste olhar...
...inexplicável*

sexta-feira, agosto 27, 2010

Caminhar*


Um dia...


..a caminhada recomeçaria.


Sabia. Eu sabia.


A areia que corre apressada pelas paradas solas do sapatos...

...no instante momento em que estanco o medo de Viver, em torno de um Mundo novo.


Areia...que me mostra o caminhar...que afinal, é toda igual, quando de deserto, tão longe e mesmo perto, se faz a Paz de Viver.


Areia, que movediça me ajuda a mexer...senão nem respirava.

Perfeição é saber que nada há de perfeito,

que tudo no Peito se desfaz de dores,

e se protege de...


Porque quem insiste no medo de Viver petrifica às mãos da Areia que pelo vento corre...



e que assim apaga o caminho, e nos faz morrer de pé*




quinta-feira, agosto 26, 2010

Travessia.

Arrepiar...caminho.

Contando que sozinho nunca se está.

Arrepiar...de frio, se no escuro recanto do sentir de instala a escuridão de não viver.

Toda a caminhada se faz num primeiro passo após o pensamento.
Toda a travessia vale a pena, pela plena vontade de atravessar.

De onde se começa por vontade, por onde se passa por necessidade, até...

Até lá, vigilante nocturno...preparando as almofadas no fundo do poço.

Deserto...até*

terça-feira, agosto 24, 2010

Superar*


Sabe-se lá os caminhos que nos enforcam, ou nos superam.


Sabemos lá onde nos encontramos agora...adia, e vê no que dá adiar.


Devemos saber apenas que não andamos perdidos, na multidão.


Superar a dor de nunca saber ao certo que o chão é eterno, é aprender a Viver.


Por vezes o chão falha, vai sempre fugir volta e meia...e tenho de ser ágil para não partir a cara toda quando de repente...ele voltar.
Porque no dia que não voltar, não parto mais a cara...parti.


Afinal a paz de Viver não é saber onde se está...mas saber que não se anda perdido, pelo tanto já vivido, pelo olhar de alguém*




quinta-feira, agosto 12, 2010

Ironia*


Páro no exacto instante antes da rebentação.


Tudo corre rio abaixo, como se a corrente fosse obrigatória...


Rebenta.

Como poderia a corrente ser obrigatória, se temos poder de escolha, o de rumar a nossa Vida?


Não.


Não podemos andar fora do rio...as margens são inamovíveis. são margens..


..mas o leito do rio tem largura que chegue para apesar da corrente, poder albergar a melhor das soluções, dentro da agitação.





Não se evitam danos no casco...mas salva-se além do Navio que respira, a tripulação...que sente, sem a qual nada disto faria sentido*

terça-feira, maio 11, 2010

Pausa.


Um sopro alento de um raio de sol que se espalha no meu rosto.


Nesse instante paro, e aproveito cada grão de calor que vai chegando...


Escolher sempre foi a tarefa mais difícil...e aquela em que toda gente cisma em se colocar.


Todas as decisões que se tomam podem ter como alento o calor que se sente...

De todas guardo um grão. E sempre que a dúvida surge, vou busca-lo ao bolso.


Olho e vejo o porquê da pausa*


É a certeza mais certa, a de saber que se justificou e se pensou aquela decisão...que não é mais vacilar, que não é à toa.


"Não há mais nada pra fazer ou conversar...chegou a hora de acabar."


*